quinta-feira, 25 de abril de 2013

sonho que nos preparamos para um banho de purificação durante a tarde. eu me demoro, porque o tempo me passa mais lentamente. pico as folhas lentamente em água enquanto as pessoas vão embora, seguindo a ponte sobre o rio. jogo o banho no meu corpo, mas não é um banho de purificação, é apenas um ritual que não me diz nada. digo meu nome secreto por cima das águas do rio, e ele é um sussurro difícil. caio no rio e dentro da água estou sem o peso de camadas de memórias que não dizem nada. é noite.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

sonho como se não me interessasse. como uma peça que não me diz mais respeito, agora os sonhos se apresentam e eu os esqueço. sonho com pessoas que brigam, com palácios distantes, com vilas e deuses, e tudo isso me diz tão pouco que adormeço dentro do sonho, de onde é difícil de se levantar, porque passo por várias camadas de descanso, nas quais sou diferentes pessoas, até que a quentura do sol da manhã me chame o último, pelo nome, e me levanto.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

estou trancado nessa casa. estou exausto o tempo todo. descanso para que eu tenha um tipo de alívio e na hora que for dormir eu consiga fechar os olhos e dormir. quando não estou cansado, invento assombrações. elas rondam a casa e esperam que eu feche os olhos para vir em direção à minha cama para me: esfaquear, esganar, assustar só com sua presença de assombração. fico quieto e nem respiro muito porque quero ouví-las lá fora: assim, em elas existindo, posso ter essa fé imensa que irá movê-las para fora e haverá paz para que eu possa fazer o que quiser: nada. lá fora, as pessoas fazem coisas. amanhã, as coisas viram coisas duplas e talvez tenham espaço que fazem as coisas bonitas. escrevo porque quero voltar a esse estado no qual o nada é incrivelmente satisfatório.
sou lento em tudo. demoro o dia inteiro para lavar a louça e traduzir um texto. descendo de um deus que não vai lutar. eu já vi o mal: ele está nessa sonolência. minhas armas deveriam ser: a delicadeza a sabedoria a paciência.
estou cansado. escrevi isso com uma tinta difícil.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

sonho que moro numa torre prestes a cair. as paredes são de pedra, mas frágeis como biombos. depois sonho que tudo o que foi construído está caindo aos pedaços: as casas abandonadas, o campanário da igreja de pedra escura cai passando por cima de mim e encontro em suas ruínas um cesto de ouro. tudo o que olho se desfaz.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

sonhei no dia de Finados que havia uma pessoa que matava pessoas furando-lhes os olhos, e então a despedaçava, amarrada e viva. tirava os olhos. a língua. o intestino. tirava tudo. e depois costurava tudo de volta.
vi ela fazendo isso duas vezes. na segunda, ele esqueceu alguma coisa, que nem eu nem ela sabemos o que é. e por esse erro, ela foi pega.

também sonhei que uma irmã de santo minha tinha sido julgada injustamente e mandada pra prisão. eu e meu pai, que depois virou outro irmão de santo meu, fomos até lá para salvá-la, enfrentando os policiais com sabres. nesse lugar havia testes nucleares, e de vez em quando havia um clarão. ao final, com meu sabre, depois de matar pessoas - que não sangravam - eu abri uma porta trancada numa cerca que dava para uma floresta pequena. nessa floresta, abri outra porta com cadeado, e saímos desse mundo e voltamos ao tempo de hoje, como se estivéssemos ao mesmo tempo em campinas e são paulo, e fomos levá-la para casa, ela no meu colo.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

esse sacrifício de hoje deve satisfazer o Destino por anos, muitos anos.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

preciso me lembrar